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Fotografia | 19/07/2008

A banalidade extraordinária da cidade, por Fernanda Chemale

Por Redação Jornalirismo

A gaúcha Fernanda Chemale já tem anos de bons olhos emprestados à fotografia brasileira, desde meados da década de 1980.

Escreveu com luz dois livros: Tempo de Rock e Luz, ensaio sobre bandas de rock em Porto Alegre; e ElefanteCidadeSerpente, seu trabalho mais recente, lançado em maio deste ano, com imagens do cotidiano das cidades por onde passou. Alguns de seus trabalhos fazem parte da prestigiosa coleção permanente Pirelli-Masp de Fotografias, do Museu de Arte de São Paulo.

O ensaio que o Jornalirismo publica agora reúne 21 imagens, desses dois trabalhos. São fotografias que parecem propositalmente silenciar o ruído da cidade ou da música. Olhando por outro lado ou acelerando o passo para ver diferente, Fernanda Chemale oferece imagens belas, quase abstratas, de um mundo que está todos os dias à nossa volta.

O cotidiano parece ser mesmo extraordinário.

Leia agora o prefácio do livro ElefanteCidadeSerpente, escrito pelo pesquisador e crítico de fotografia Rubens Fernandes Jr., e depois surpreenda seus olhos.

“As cidades e suas fendas expressivas”, por Rubens Fernandes Júnior:

“Olhar a cidade, registrar seu cotidiano, sentir o pulsar irritante, perceber o movimento incessante. Ver a cidade nem sempre significa veracidade. É exatamente essa a principal idéia que perpassa o livro ElefanteCidadeSerpente, de Fernanda Chemale, que encarou o desafio de criar uma coleção de fotografias sobre as cidades hoje, sem o compromisso de documentar os edifícios, as avenidas, as pessoas, enfim, a história sócio-cultural do espaço urbano. Suas imagens iconizam a mais pura sensação momentânea e efêmera de um passante.

Fernanda assume olhar a cidade fotografando-a com uma acelerada visão, tipo zapping, permitindo que nós, leitores, sejamos parcialmente responsáveis pela montagem de incríveis caleidoscópios. Sua percepção aguçada, associada a um fantástico sentido de unidade fluida e plástica, possibilita que o heterogêneo e a descontinuidade, presentes nas metrópoles contemporâneas, apareçam como uma síntese que materializa seu gesto livre e expressivo.

Os fragmentos imagéticos estão dispostos em estranhos enquadramentos, que formam geometrias casuais e desenhos ilógicos. As imagens evidenciam as distorções, as superposições, os movimentos, as cores, as luzes, tudo como num jogo indeciso, que, embora apreendido pela câmera, nem sempre permite desvendar os mistérios do mundo visível. Fernanda busca, no seu enfrentamento com as cidades, relacionar formas, abrir fendas expressivas no espaço tumultuado pela ação cotidiana, destacar as luzes e as sombras que envolvem a cena, enquadrar paisagens em espelhos retrovisores, materializar as tensões das coisas aparentes que compõem o espaço.

A edição de ElefanteCidadeSerpente também assume a idéia de serializar os fragmentos, de modo a potencializar a unidade do livro. Fernanda assume suas imagens produzidas em trânsito (parte delas enquadradas de um automóvel em movimento) e, portanto, seu gesto fotográfico é performático, pois nos deparamos com fotografias com forte subjetividade, quase irreconhecíveis de imediato, nos obrigando a refletir sobre aquilo que vemos para tentar imaginar essa vontade criativa de extrapolar o mundo visível.

A cidade representa um enorme conglomerado de edifícios, sólidos e imutáveis em sua maioria; enquanto que ao fotógrafo passante cabe a tarefa de desvendar os espaços da urbe como um líquido viscoso que se nutre da força dos estranhos caminhos traçados quase aleatoriamente pelos homens. Uma espécie de entendimento da cidade como o espaço que deve ser percorrido e percebido com base na curiosidade essencial do artista. No caso deste ensaio, podemos ver uma fotografia que foi captada no próprio gesto de sua construção, no gesto que deixa indícios na materialidade da imagem.

O pintor inglês Francis Bacon afirmava: “Figurar, em lugar de realizar, uma materialização por meio de torções e deformações nas imagens”. Fernanda Chemale criou manchas de cor, luz e movimento, com estranhos ruídos, superposições e distorções, que aproximam o seu olhar da visão ativa e inovadora da fotografia brasileira contemporânea.”

Deixe-se levar agora pelas imagens da fotógrafa Fernanda Chemale.

Imagens do livro e exposição ElefanteCidadeSerpente, 2008


Imagem vazia padrão
Auto-retrato



Imagem vazia padrão
Boca da garrafa



Imagem vazia padrão
Varal



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Florianópolis



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Cubatão



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Corrida



Imagem vazia padrão
Stravaganza



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Skate



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Fiesta/Casarão



Imagem vazia padrão
Metal/Caveira



Imagem vazia padrão
Ralo



Imagem vazia padrão
Índio africano



Imagem vazia padrão
A Dama do Mar



Imagem vazia padrão
Natal



Imagem vazia padrão
Astronauta




Imagens do livro Tempo de Rock e Luz, de Fernanda Chemale, sobre o universo do rock em Porto Alegre


Imagem vazia padrão
Flu



Imagem vazia padrão

Deffala



Imagem vazia padrão
Ninfrodisíacas



Imagem vazia padrão
Gnut



Imagem vazia padrão
Os Replicantes



Imagem vazia padrão
Tequila Baby



Comentários (3)

1.

 
Olá Guilherme, 
obrigado pela oportunidade de publicar no Jornalirismo! 
abraço 
Fernanda Chemale

21-07-2008 09:46 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

2. Inspirador...

 
Parabéns pelo material!

23-07-2008 13:37 - Por Madu

3. Locomotiva

 
Olá, Fernanda, 
quero dar os parabéns pelo olhar delicado e precioso e pelas boas imagens. 
Naty

11-08-2008 14:57 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email

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