Propaganda | 04/08/2008
Gringos nos tiraram da Idade da Propaganda Lascada
Por Juvenal Azevedo
O tema deste artigo foi sugerido por "mi hermanito" Federico Spitale, talentoso diretor de arte que, hoje, acumula esse talento com a arte de pintar marinas tão belas quanto as de Pancetti e de fotografar em alto estilo, após ter trocado idéias a respeito com o também diretor de arte e também cidadão argentino-brasileiro Hector Sápia, justamente chamado de "el maestro".
Como na "overture do fiat", no começo do século XX, na propaganda brasileira, eram dominantes as trevas que, depois, ganharam luminosidade com a chegada de notável leva de imigrantes, vindos para este paraíso tropical em fuga da primeira e da segunda guerras mundiais, da crise econômica que assolou a Europa e da ascensão do nazismo e do fascismo, em busca, enfim, de um recomeço em suas vidas.
Havia os alemães, Fritz Lessin à frente, o mais brasileiro de todos os germanos, dando nova dimensão a nossos layouts com sua precisão teuta e sua malemolência bem brasileira.
Com Fritz, no atendimento, seu irmão Roberto, prematuramente levado para o andar de cima, assim como o próprio Fritz nos deixou também muito cedo.
Na brigada alemã, pontificava ainda Gerhard Wilda que, se não me engano, até hoje faz seus layouts e pinta seus quadros repletos de talento, além do Gruber, da Clicheria Planalto.
E os italianos, mamma mia!, com Oswaldo Morgantetti, João Cardaci, Lélio di Pillo, João Gargiuli, Ângelo Scavuzzo e os fotógrafos Troiani e Ezio Vitale.
A armada espanhola, tal como ocorria ontem nos mares e hoje no tênis, era também de primeira linha, com Eugenio Ruiz Alarnes, Manolo Guete (autor de maravilhosa frase sobre o ato de transar: "Cojer y no contar es como no cojer!"), o fotógrafo German Lorca, Albert Chust Oller, um dos fundadores da Metro 3, depois transformada na estupenda DPZ, e seus sócios José Zaragoza e Francesc Petit.
Havia também os gringos abrasileirados Robert Merrick, Eric Nice e Leighton Gage. O russo Otto Stupakoff, brilhante e mitológico fotógrafo que, depois, botou Nova York a seus pés e há poucos anos voltou para o Brasil.
O também fotógrafo e também gênio polonês Ernst Schauder, que trabalhava em casa assistido por sua mulher (que cuidava da iluminação meticulosa) e que fazia um notável trabalho de meio-de-campo para redatores e diretores de arte, "soprando" seus nomes para os donos de agência que estavam à procura de bons profissionais de criação.
Os suíços Jean Udry, que dava as cartas na criativa Standard de Ivan Meira nos anos sessenta e depois se associou com Antônio Muniz Simas na Dil – Desenho Industrial, e a criativa Magy Imorberdorff.
O notável belga Jacques (pronuncia-se Jaquí) Lebois, diretor de arte e depois executivo principal da Grant Advertising.
Os húngaros José Zippert (diretor de arte) e o produtor gráfico Ladislao Bartok. O francês Lívio Rangan e seu sócio na Gang, o brilhante poeta e diretor de arte português/carioca/paulista Licínio Neves Tavares de Almeida e o também lusitano ilustrador Juvenal Ramos.
O ilustrador Noguchi, o fotógrafo Yoshida, os irmãos Onaga, os irmãos Ogata e um sem-número de outros japoneses do Japão ou simplesmente nisseis que perpetuaram o país do sol nascente em nosso advertising, juntamente com seus vizinhos do Extremo Oriente, como o diretor de arte chinês David Chu e o fotógrafo Marcelo Min, descendente de coreanos.
Houve também latino-americanos, como o diretor de arte peruano Carlos Reluz e seu conterrâneo, o cineasta Sergio Segall, os uruguaios Walter Une, Francisco Silva Ramos, Olivera e o diretor de cinema e de fotografia Cesar Charlone, o fotógrafo chileno Adolpho Vargas e até um redator igualmente chileno, cujo nome não consigo me lembrar.
Sem falar nos hermanos argentinos, que já mencionei em artigo sobre eles (veja aqui), mas cujos nomes vale a pena repetir: os diretores de arte Hector Sápia, Federico Spitale, Armando Mihanovich, Enrique Parareda, Aníbal Guastavino, Arturo Leonel Alessio, Rodolpho Vanni, Hector Tortolano, De Diago, Luis Di Nallo, Hector Rossano, Carlos Rocca, Arturo (da Inter-Americana), Juan "Negro" Patrone, Adalberto Cuernavaca, o fotógrafo Oswaldo Meligeni, pai do nosso tenista Fernando, Paulo Nascimento e seu filho Arturo, o diretor de cinema Armando Escanes, o fundador e diretor da Escola Panamericana de Arte Enrique Lipzsyc, Carlos Edo Palma (um notável planejador), Juan Federico Merkel, diretor do Grupo Volkswagen na Almap, o administrativo Federico Quirno e seu irmão Norberto (Tito), que, dizem, foi o negociador com a guerrilha argentina durante o seqüestro del Señor Bunge, da Bunge & Borne, com pleno êxito.
A esses e a outros vilmente esquecidos pela memória imprecisa e/ou pelo desconhecimento/ignorância factual, rendo aqui meus agradecimentos, por terem nos tirado da Idade da Propaganda Lascada, ajudando a conduzir-nos para o modernismo ogilvyniano/bernbachiano e, agora, para a digitalização internética, internáutica e possivelmente intergaláctica.
1. O povo da Gringolandia
A eles, nosso eterno agradecimento
04-08-2008 21:32 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
2. COMENTARIOS
É MUITO BOM TER MATERIAS COMO ESTA, QUE FALAM SOBRE ONTEM HOJE EO FUTURO, E SABER QUE ESTE JORNALISTA É MEU AMIGO AI É SHOW DE BOLA
PARABENS
10-08-2008 17:54 - Por JOSE CARLOS CAVALCANTE "CARLO
3. parabéns
10-08-2008 19:56 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
4. parabéns
no se si me recuerdas (creo que no, sino me hubieses incluido en la nota sobre los Gringos que trabajaron en la publicidad brasilera).
Te comento que hemos compartido algunos cocteles junto a nuestro querido amigo Spitale y ademas hay fotos que lo documentan,Justamente hace unos meses mi hijo ( tambien publicitario, en Argentina) encontro en internet una nota que hablaba de la publicidad de los 70 en Brasil y la foto que ilustraba esa nota estabamos vos ,el flaco Spitale y yo.( foto blanco y negro pintada encima con colores fuertes al estilo Pop Art).Fue grato verla ya que me hizo viajar a traves del tiempo y recordar mis hermosos 8 años vividos en Sao Pablo.
( 1976 / 1983) D.P.Z. Rio, Bureau Publicidade, Alcantara Maschado Periscinotto y Proeme Campbel Edwal, donde casualmente trabaje junto a dos de los colegas que nombraste en tu nota ;Rocca y el Loco Vanni.Que Saudades meu Deus!!!!!
Bueno amigo,gracias por el recuerdo y queria felicitarte por tan memoriosa nota..... y recordarte que si volves a escribir sobre el tema no te olvides de nombrar a este humilde argentino que tambien fue parte de esa movida gringolandia.
Un gran abrazo.
Abel Kropivka
Actualmente Director Creativo y Asesor Grafico de Mccann Guayaquil ( Ecuador)
14-08-2008 11:57 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
5. La mano del diablo
Mas, pronto, o registro está feito e você ocupa o lugar que sempre foi seu na relação de argentinos-brasileiros e, principalmente, no meu coração.
Desculpe e um abraço.
14-08-2008 15:59 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
6. La mano del diablo
Um grande abraço do Tom
15-08-2008 14:42 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
7. La mano del diablo
Genial o seu artigo,bela contribuição para a história da propaganda brasileira, mas me permita fazer um reparo e também acrescentar alguns nomes.
Primeiro, esclarecer que Gerhard Wilda faleceu há mais ou menos dois anos; eu mesmo fui escalado para fazer uma reportagem especial na revista Propaganda sobre sua vida e obra.
Quanto a outros gringos não citados gostaría de acrescentar nessa lista o inglés Jim Abercrombie, contemporâneo e amigo de Lessin e um dos melhores diretores da Thompson mundial;viveu entre nós pór muitos anos.
Também os polacos, década de 30, Henrique Mirnalowski e Bruno Lecowski;o diretor de arte e ilustrador guatemalteco Rodrigo Frederico Frank (Mac Cann) e o suiço Hans Dannman, este último dono de uma importante agência.
Ia me esquecendo do Andrés Bucowinski o polonês da Aba filmes, pai do Garoto Bombril. E também dos italianos (tenho minhas duvidas quanto à origem)Michelini e Dogliotti nos anos 50.
Tem ainda o Sepe Baendereck que acho era iugoslavo e foi dono da Denison.
E deve ter ôutras contribuições forâneas relevantes em nossa propaganda, que a memória não ajuda tanto assim.
O importante é que você teve a idéia e abriu a lista e com isso fica uma sugestão para estudantes de publicidade em conclusão de curso.É Um belo tema para tese acadêmica.
Grande abraço do
Colombaiano
Nelson Varón Cadena
17-08-2008 14:48 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
8. La mano del diablo
Ia me esquecendo entre os hermanos argentinos do Hector Brener da Denison que foi o comandante do Movimento Nacional Pela Livre Iniciativa e coordenador de todas as campanhas realizadas entre 1980-87.
17-08-2008 15:00 - Por Nelson Cadena
9. Valeu, Nelson Cadena
O Hans Dammann, meu colega de Almap e Publitec, do Gino Carraresi (um italiano também esquecido), ao que me consta, é filho de alemães e não suíço. Vale confirmar.
O Hector Brenner, realmente, foi um esquecimento lamentável e eu já havia sido alertado para isso pelo José Carlos Perri.
Entre os uruguaios, esqueci-me do diretor de arte Alberto Nacer, com quem assisti à semifinal de Brasil x Uruguai e à final Brasil x Itália, na Copa de 70. Dá pra esquecer um cara desses?
Na brigada italiana, o Enido Michelini, meu "dupla" na McCann, tenho quase certeza que é brasileiro. Já o Gianni Dogliotti, sim, é italiano, sem dúvida.
E quanto a você, com quem tive o prazer de estar em sua casa em Salvador, confesso que não sabia ser colombiano, imaginava ser baiano como Caymmi, Jorge e Caribé, um argentino abaianado...
Obrigado pela contribuição que, vinda de você, um estudioso da propaganda brasileira, vale um ouro olímpico.
Um abração pra você, extensivo à sua mulher, que nos recebeu com a tradicional e nunca desmentida cordialidade baiana.
17-08-2008 21:06 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
10. Uma história do Sapia
Naqueles anos havia uma "conjunção galactica" que favorecia o Brasil, eram épocas de mudanças: tinhamos uma música nova, uma capital nova, um cinema novo e até um presidente "bossa nova". Alguém com talento só poderia se dar bem.
Foi o caso do meu amigo Sapia, que saiu de uma Buenos Aires conservadora (e bota conservadora nisso: demoraram anos para aceitar o tango novo e só triunfando na Europa é que Piazzola foi reconhecido em terras portenhas) e veio para o Brasil com uma idéia na cabeça: renovar. Claro, tinha que entrar na agencia certa, não numa quadradinha estilo Norton.
Nós o chamavamos "el Maestro" pois naqueles anos de Buenos Aires nos fez conhecer grandes cartazistas europeus como André François ou Savignac.
Tive a oportunidade de trabalhar com ele em duas ocasiões, uma na Thompson de Milano e outra na antiga Alcantara Machado, onde presenciei um fato que ilustra bem a personalidade e o carisma desse meu amigo: Alex, bastante eufórico, comunicou que tinhamos ganhado toda a conta da Anderson Clayton (até ali só tinhamos alguns produtos da multinacional) e marcou uma reunião para as duas horas do dia seguinte. Imediatamente Sapia disse: "Não posso, a essa hora tenho aula de piano". A reunião foi transferida.
Detalhe: o Alex estava marcando a reunião dentro do horário de trabalho do Sapia.
18-08-2008 22:01 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
11. Ameiiiiiiiiii Muito á resposta mas acho
21-08-2008 11:16 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
12. Neta de Oswaldo
Não cheguei a conhecê-lo mas temos guardado vários negativos e fotos de seu trabalho, alguns ganhadores de prêmios, na época em que propaganda era à mão e não existia ainda o Adobe...
Meu pai ficou muito emocionado ao ver o nome do seu pai na internet.
Muito obrigada e continue com o bom trabalho.
Fernanda
24-08-2008 10:22 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
13. Ah, aqueles gringos...
Todos esses comentários sobre os gringos deixam a gente com o coração na mão e com uma lágrima nos "zóio que a terra há de comer"
Meu Deus, como esses gringos foram bons...
Como foi bom ter trabalhado com alguns deles...
Abraço
Humberto Mendes
24-08-2008 20:21 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
14. O "primeiro dupla" a gente nunca esque
Pena que você não chegou a conhecê-lo. Era um cara sensacional!
24-08-2008 21:39 - Por Juvenal
15. Incrível...
Eu e minha família ficamos muito felizes de saber o seu relacionamento com o meu avô. Meu pai ainda gostaría de conversar mais com você sobre sua história junto do Oswaldo.
Se você puder me mandar um email, no meu endereço, meu pai gostaria de "conversar" com você...
Muito obrigada pela menção e pelos elogios...
Fernanda Morgantetti
27-08-2008 07:22 - Por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
16. Aqui está meu e-mail
Creio que é mais fácil eu te passar meu e-mail pessoal: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email
Assim, se você e seu pai quiserem "conversar" comigo, é só me escreverem.
Abs e até breve.
28-08-2008 12:15 - Por Juvenal Azevedo
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