Esperança, esperança, esperança.
É o que move músculos e mentes de participantes do Campeonato Paulista de Boxe, realizado às terças-feiras no Ginásio Baby Barioni, na zona oeste da cidade de São Paulo.
Jovens, vindos de academias da periferia da capital paulista e de algumas cidades do interior, trocam golpes visando não só derrubar o adversário, mas também, e principalmente, achar uma saída...
Em conversas com alguns deles, notei o sonho de se tornarem campeões, ficarem famosos, Olimpíada... Qualquer coisa que fosse uma saída.
Não dá para imaginar saída do quê, não é a minha realidade, mas pude ver e sentir a gana com que entravam no ringue e a renovação da esperança, no caso de vitória – ou a frustração, no caso de derrota.
O boxe não é o esporte que mais me atrai, na verdade, nem sei se é um esporte. Mas gente subir em um ringue para bater e/ou apanhar foge da minha compreensão. Esta foi a intenção: tentar entender, por quê?
Claro que, pelo menos racionalmente, nada mudou. Ficaram as imagens, se dá para passar alguma coisa, aí estão.













*Fábio Moreira Salles trabalha como fotojornalista desde 1980. Foi repórter fotográfico de A Gazeta Esportiva, da Folha de S.Paulo (onde também foi editor) e diretor de fotografia de O Estado de S.Paulo. Já cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e Fórmula 1. Fundou a Casa da Photo em 1998. Conheça o trabalho da agência aqui: www.casadaphoto.com.br. O ensaio que o Jornalirismo publica foi produzido com equipamento Canon 20D e 5D durante o ano de 2007.
continente.
Literalmente ir para o ringue da vida uma vez que a oportunidade
desses jovens foi para algum banco off-shore do Caribe.
Bela e triste matéria
amigo.
uma saída comprovada. Na Mooca, existe um trabalho exemplar sob o viaduto
Alcântar Machado, na Radial Leste, agora revitalizado e transformado em um
"complexo" esportivo com quadras também. Belíssimo ensaio
fotográfico, parabéns.
do boxe Olímpico na tv, comentei com colegas sobre os tempos da Esportiva e
acabei lembrando do Newton Campos, o escriba do boxe e, na época, presidente da
Federação Paulista de Boxe. Entrei no site da Federação e vi que o tal
senhor ainda é o presidente (parece que o negócio é vitalício).Lá se vão
20 e tantos anos...Ou seja, nada mudou no mundo do boxe, nem na federação e
nem nos ringues, como bem atestam as fotos do ensaio. Os rostos e lugares
lembram de tal maneira o passado que o ensaio até podia ter sido montado com
fotos de arquivo. É um registro atual do eterno passado que é o boxe
brasileiro. A impressão que fica é a que existe uma fábrica secreta (e
sabemos que ela não é nem um pouco secreta) que despeja clones de boxeadores
no \"mercado\". Parabéns e abração.
