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“Nesta cidade, não preciso conhecer o caminho das ruas. As ruas sabem o meu caminho”, Pedro Bial, em “Ares Londrinos” (Crônicas de Repórter)

Já morei em São Paulo, em Nova York, em Miami e em Marbella, na Espanha. Quatro grandes centros mundiais de turismo e negócios, cada um com sua peculiaridade.

Em Nova York, imaginava estar na cidade mais cosmopolita do mundo, pois todos os dias, e em todos os lugares, observava muitos turistas, muitos estrangeiros, passeando, trabalhando ou estudando. Há até festas que celebram oficialmente o dia de cada nação, muitas delas.

Foi assim até que viesse morar em Londres. Aqui é outra escala: não só visual e auditiva, como também estatística. Sim, Londres, Babel contemporânea, é a cidade em que mais línguas se falam.

Sabe aquela vontade irresistível de virar para olhar, quando se escuta alguém falando uma língua estrangeira, até em uma cidade grande como São Paulo? Pois é, isso não existe aqui.

É como se Londres falasse sua própria língua, que às vezes você entende e às vezes não entende nada. Ou como se Londres fosse, na verdade, um imenso país, com vários dialetos.

Em um vagão de metrô londrino, por exemplo, é possível notar pelo menos umas vinte nacionalidades diferentes. O que torna divertido tentar adivinhar de onde são.

Poloneses, italianos, espanhóis, indianos, paquistaneses, tailandeses crescem em árvores frondosas aqui, às pencas. O que menos se encontra é londrino cem por cento. Inglês até tem, mas quando se esbarra num londrino, acredite: é raridade.

A série “Anonymous” (Anônimos), que você vai observar na esquina abaixo, num relance, me veio à mente em dias de tédio, em meu apartamento. E também por demorar a dois quarteirões da afamada Portobello Road, em Notting Hill.

Uma rua onde, aos sábados, afana uma feira muito particular: começa com antiguidades, de um lado, e termina como a nossa feira-livre, com frutas, legumes, peixes e até Havaianas (Ravanas, como dizem aqui), de outro lado. Parada obrigatória de qualquer turista.

O trabalho também só foi possível porque Londres é uma cidade onde todos podem se vestir como quiserem; há desde aqueles que se vestem com muito esmero até os que não têm noção nenhuma, dos que estão pouco se lixando para os demais até os que apenas querem chamar a atenção.

Claro que existem lugares mais propícios para fotografar essas pessoas, os nichos. Em Camden Town, ao norte de Londres, onde desponta o famoso mercado de Camden, o Camden Lock, vagam os mais alternativos e os punks; na Oxford Circus, desfilam os mais descolados e os da moda; em Portobelo, zune um enxame de espanhóis e italianos e, com eles, como flores, chapéus multicoloridos, cortes de cabelo angulosos etc.; em Bricklane, equilibram-se os bem descolados: quase uma Vila Madalena paulistana, porém ainda mais livre, ainda mais alternativa.

Londres é, enfim, o lugar perfeito para testar aquela combinação de roupa que você sempre quis, de chapéus a cores e cortes de cabelo, de piercings a tatuagens. E também, forma acompanhada do conteúdo, de arriscar comportamentos não muito convencionais. Ready?

Então experimente toda a liberdade de Londres, nas imagens de gente famosa, os anônimos londrinos.

Anonimamente,

Marcos Pacheco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Quem quiser saber mais sobre o trabalho do repórter fotográfico Marcos Pacheco é só clicar aqui.

Comentários
Colonna | 30/06/2009
Belo texto e ilustrado por imagens fantásticas, o olhar do fotográfo consegue
captar com maestria essa BABEL, suas tribos, cores, formas e
"cheiros".
Parabéns! Sorte, Saúde e Sucesso!
Rachel Dogan | 30/06/2009
I lived in London for 10 years plus and have to say that your photos are a real
portrayal of the people in London.
In London anything goes!

Weldone Marcos
Boa, Pacheco!
Tiago Lucci | 30/06/2009 |  
Acompanho o excepcional trabalho de Marcos Pacheo há mais de 5 anos. É um
excelente fotógrafo e possui um olhar muito singular. Parabéns por mais esse
magnífico projeto.
Luis Tadeu C. Santos | 30/06/2009 |  
Belo texto e um ensaio fotográfico maravilhoso, revelando toda a diversidade
tribal londrina.
Parabéns, Pacheco.
Claudia Cragg | 30/06/2009
You are a VERY talented photographer. Well done! I have to say you have captured
the diversity of characters and faces in London with a deft eye and a rare
skill. Keep it coming - why not do some more cities!
Cristiano Jaguaribe | 30/06/2009
Excelente!!

Conteúdo inteligente e fotografias maravilhosas. Foi uma viagem
no tempo/espaço, fui transportado para um mundo repleto de cores e formas,
revelando inúmeras personalidades.

Parabéns Marcos Pacheco e obrigado por nos
presentear com sua matéria.
Saudades de você, Pacheco!
Lúcia Alves | 30/06/2009
Também já estive em Londres por um bom tempo e posso dizer que o fotógrafo
Marcos Pacheco captou muito bem o show de looks e cores dos "londrinos".
Parabéns e obrigada pelo recordar é viver!
MAriana Betting | 30/06/2009 |  
Adorei a matéria PAcheco! Tá demais....parabéns e sucesso!
Débora Brandão | 30/06/2009
Nossa, mas que rico universo é Londres!! Já estive por lá, só que com essa
qualidade visual de "visuais" só nesta matéria mesmo!!
Seu trabalho
como fotógrafo é ímpar!! Parabéns!!
O texto está bem legal, mas no próximo
posso te indicar um redator para umas correções!! rs
Beijos e sucesso sempre!!
Marcia Crespo | 30/06/2009
Hola Pacheco!
Sensacional as imagens.... e muito muito boa a
matéria!
Aaaaiii.... saudades de Londres!
Parabéns e sucesso
seeeeempre!
Beijos
Marcia
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