As belezas naturais de Roraima são, sem dúvida, seu maior patrimônio. Inspirada nessa beleza local e na cultura indígena, nascia, na década de oitenta, o movimento músico-cultural que ficou conhecido como Roraimeira.
Buscava exaltar a cultura roraimense, instituindo um manifesto de preservação e supervaloração que também influenciou outras formas de expressão artística além da música, como a literatura, a dança, o teatro, a fotografia e as artes plásticas.
O documentário homônimo de Thiago Briglia, selecionado pela quarta edição do DOCTV, programa de incentivo à realização e exibição de documentários nas tevês públicas, parte da ideia de resgatar esse movimento.
Para isso, segue os passos do trio que deu origem ao movimento. Eliakin Rufino, Neuber Uchoa e Zeca Preto são os personagens que, ao longo do filme, visitam localidades turísticas que compõem o cenário natural de Roraima e serviram de inspiração ao movimento artístico regional, como a Pedra Pintada, o lago Caracaranã e o Monte Roraima.
Também valorizando a fauna amazônica, o documentário estabelece um clima de interação e integração com a expressividade naturalista da zoodança, encenada por artistas locais. Essa dança expressa um universo estético selvagem, ao reconstituir os movimentos de animais da fauna local, como a onça-pintada, a garça e o macaco.
Tendo como personagens três grandes músicos, o documentário cria a atmosfera de um musical, pontuando as regionalidades turísticas com músicas da Roraimeira e com depoimentos que revelam a inspiração para as composições musicais de cada localidade.
Assim, o diretor estimula a reflexão sobre o legado do movimento Roraimeira para a formação da cultura e da identidade roraimense, mostrando que, mesmo que a influência não seja explícita, foi fundamental. Com reflexos, inclusive, na conquista da autoestima local, que se sente privilegiada de ter, em suas terras, frutos da valorização e resistência cultural.
Roraimeira (Brasil, 52 min.)
Autor e diretor: Thiago Briglia
