— Senhor? Senhor? Decidiu?
Já estava havia um minuto ali parado, pensando, desde que a moça da companhia aérea, ao fazer o check-in, lhe perguntara se interessava pegar o voo anterior ao dele. Era possível, já que os voos estavam atrasados e ele chegara cedo demais ao aeroporto.
Mas como ter segurança numa decisão como esta? E se ele resolvesse mudar o voo, embarcasse logo e o avião caísse? E se ele decidisse que não, que embarcaria normalmente no voo em que fizera a reserva e este sim caísse?
Não gostava de tomar decisões. Na verdade, pior do que tomar decisões, para ele, era sentir-se responsável pelas consequencias delas.
Precisava ter alguém em quem colocar a culpa, caso as coisas não dessem certo. Não casou com a mulher que amava, mas sim com a que o escolhera. A profissão em que trabalhava também não fora escolhida por ele. E o apartamento próprio era herança do pai.
— Senhor, por favor, senhor, adianto a passagem, senhor?
E se desistisse, então, de qualquer voo, saísse do aeroporto e pegasse um ônibus? Mas e se este ônibus sofresse um acidente e os aviões não?
Suava frio. E, ainda na fila, lembrou que tudo o que queria naquele momento era estar no seu apartamento, ao lado de sua mulher.
Sem falar no
martírio dos que, quando fazem qualquer escolha, ficam sempre imaginando que a
opção descartada poderia ter sido a melhor...
Parabéns pelo conto!
com bom humor de, para mim, uma questão complicada.
