Eu tive certeza de que me tornei um nostálgico quando, na sexta-feira, experimentei a mostarda de uma dessas lanchonetes da zona sul.
– Que bela mostarda vocês têm aqui, heim?! – me deu vontade de dizer, ironizando.
Antigamente, a mostarda era saborosa, azedinha, com um amarelo forte (não desbotado). Hoje, não: ela está mais doce que o brigadeiro feito pela minha mãe. Não só a mostarda mudou, o ketchup também, a bolacha de chocolate, a vida.
Sei que, com vinte anos, é difícil sentir saudade de alguma coisa. Muitos dirão que é a melhor fase e tal, e eu concordo. Mas sinto falta, sim! Ninguém pode me tirar esse direito! Sou jovem, mas tenho tantas responsabilidades, que não me sobra tempo nem para uma despretensiosa “Sessão da Tarde”.
As coisas mudaram, meu amigo. O mundo não tem mais a graça de dez anos atrás. Se eu tivesse 50 anos, com certeza falaria da década de sessenta, dos Beatles, das passeatas, do Pelé. Mas não, me resta lamentar que o Pokemon não passa mais aos sábados, além das escadas da minha antiga escola terem mudado de lugar. Também não bato mais figurinhas e nada de futebol na rua sem saída! E as traves de madeira, cadê?
O fanatismo pelo maior time do mundo ainda existe? Não, com certeza. Bom o tempo em que a preocupação era perder todos os Tazos na esquina. Esconde-esconde na esquina. Ah, lá vem o Seu Pascoal trancar o portão. Onde se esconder agora, meu amigo? Se for na Dona Ana, ela solta os cachorros. E os meus cachorros? A Princesa, a Grampola, o Pequenino?
Cem gramas de pururuca, por favor! Fogueira em dias de frio. Aliás, ainda existe frio em São Paulo? Chegar molhado de chuva em casa. O que é isso, meu filho, por que tão ensopado? Sopa à noite, hambúrguer à tarde, refrigerante de manhã. E amanhã, futebol ou matemática, professora?
E lá vem o Leandro pela esquerda, passa pela equação, dribla o gráfico cartesiano, deixa no solo a divisão, mas perde a bola para o incógnito amor ao quadrado da Bruna, da Talita, da Jéssica... Que pena! Perdeu todo aquele jeito sem vergonha. Mas que vergonha, nem brincar você sabe mais, meu Deus.
Se me resta mesmo Deus. Adeus, tempo nenhum. Adeus, passado. Adeus, leitor. Ainda há algum?
Nostalgia é algo divertido de ter, mas depois se torna triste. Acho
que sou masoquista por isso, já que gosto desse sentimento.
O passado é
sempre melhor que o presente. O passado ficou ideal com o tempo, assim como o
presente será um dia.
