Jornalirismo

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Em artigo no blog Código Aberto, do portal Observatório da Imprensa, o jornalista Carlos Castilho, referência mundial em jornalismo colaborativo, chama a atenção para uma consequência do uso do Twitter pelas próprias fontes de notícia: o fim do furo jornalístico e um “empurrão” da atividade jornalística para a contextualização dos fatos.

“A grande diferença é que o foco dos jornalistas deixa de ser a simbiose com o poder político e econômico para voltar-se cada vez mais para o público, reconstituindo aquilo que está na origem do jornalismo, o caráter social da atividade informativa”, avalia Castilho.

Se o uso crescente do Twitter (veja aqui), o serviço de micromensagens via web, pelas fontes acaba eliminando a cultura do furo, em voga atualmente nos jornais, também coloca uma outra questão: a distância a que as fontes (personagens das reportagens) podem estrategicamente ficar da própria imprensa, isentando-se dos questionamentos necessários e, muitas vezes, indesejados e impertinentes.

O Twitter, certamente, fortalece o controle pelas fontes de suas declarações, subtraindo possíveis contradições. O que pode ser, por outra lado, mais um estímulo ao jornalismo de fato investigativo.

Leia agora o artigo de Carlos Castilho “Twitter pressiona uma mudança no foco da atividade” (para ler diretamente no blog, clique aqui):

Twitter pressiona uma mudança no foco da atividade jornalística

Postado por Carlos Castilho em 15/7/2009 às 2:41:45 PM


Há menos de um mês alguns parlamentares ingleses (leia aqui) estavam passando para seus eleitores e simpatizantes os resultados de uma votação legislativa ignorando o papel da imprensa como mediador entre tomadores de decisões e o público.
 
As sessões do parlamento já são transmitidas ao vivo pelo rádio que é onde a imprensa monitora o trabalho legislativo. Mas o Twitter está atropelando esta mediação ao estabelecer contato direto entre a fonte da notícia e o consumidor de informações.
 
Aqui no Brasil, quase ao mesmo tempo, o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, anunciou pela sua página (leia aqui) no Twitter o fim das negociações para contratar Muricy Ramalho como técnico do clube paulista. Belluzzo passou a se comunicar com a torcida palmeirense sem passar pela imprensa.
 
A moda deve pegar porque os tomadores de decisões têm agora um canal direto com a opinião pública, sem terem que enfrentar os questionamentos e as idiossincrasias da imprensa. Aqui no Brasil já temos 17 senadores e 47 deputados federais inscritos pelo Twitter.
 
Isto pode aproximar o público dos tomadores de decisões, em especial os membros do poder Legislativo, do seu público alvo. Trata-se de uma aproximação de mão dupla porque os eleitores também estão criando os seus canais de cobrança e monitoramento da atividade parlamentar, o que pode contribuir para o saneamento tanto do Senado como da Câmara de Deputados.
 
Mas também vão surgir problemas. No caso dos parlamentares britânicos Tom Watson e Jim Knight, na pressa de avisar seus eleitores, eles acabaram passando resultados equivocados da votação e tiveram que voltar atrás. Outra possibilidade real é o surgimento de uma cacofonia informativa pelo Twitter, tornando necessária uma depuração e contextualização das notícias transmitidas pelo sistema de micromensagens.
 
Para os repórteres e editores, a ampliação do uso do Twitter marca mais um passo na direção do fim da era do furo jornalístico. É também um novo empurrão no sentido da transformação dos profissionais em orientadores e contextualizadores das informações passadas ao público pelos tomadores de decisões e formadores de opiniões.
 
A grande diferença é que o foco dos jornalistas deixa de ser a simbiose com o poder político e econômico para voltar-se cada vez mais para o público, reconstituindo aquilo que está na origem do jornalismo, o caráter social da atividade informativa.

 

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