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As constantes manifestações religiosas dos jogadores brasileiros nos campos de futebol começam a despertar reações. De acordo com a revista CartaCapital, de 8 de julho, a Associação Dinamarquesa de Futebol considerou um “exagero” a fervorosa oração feita dentro de campo por jogadores e integrantes da comissão técnica da seleção brasileira após a conquista da Copa das Confederações, na África do Sul, no fim de junho. Os dinamarqueses sugeriram, inclusive, que a Fifa, entidade máxima do futebol, punisse os brasileiros.

Na quinta-feira, 30 de julho, o jornalista Juca Kfouri também expressou seu incômodo em relação às mensagens religiosas dos atletas do país. Leia abaixo o texto de sua coluna no caderno "Esporte" da Folha de S.Paulo (para ler no próprio jornal, clique aqui).


JUCA KFOURI

Deixem Jesus em paz

Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro

MEU PAI, na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: "Você não tem cultura para se dizer ateu", sentenciou.
Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler "Em que Creem os que Não Creem", uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.
De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.
Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.
Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.
Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.
E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.  Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.
E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.
Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes, como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial. Ora, há limites para tudo.
É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos...
Ora bolas!
Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.
Não mesmo é à toa que Deus prefere os ateus...

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Comentários
NINGUÉM TIRA JESUS DA PAZ (ELE É A PAZ)
Mediante a tanto ataque às manifestações de agradecimento à Deus, em forma
de adoração, feita por jogadores evangélicos, resta dizer caro Kfouri: Que
Furo heim! Você perdeu uma grande oportunidade de ficar calado! Em fim
"GRAÇAS À DEUS" Nosso país nos assegura a liberdade de
expressão!
Oras, você é agnóstico (amém pra você) sou evangélica e não
preciso usar outro título como forma de disfarce, (como quem se julga não
merecedor por falta de cultura para tal) Os aparelhos de tv são realmente
detentores de um grande poder! Conseguem até mesmo, fazer com que uma pessoa,
esqueça que ela não precisa ficar irritada por não suportar assistir
manifestações religiosas. Impressioante! Juca, quando você, estiver diante
de tal cena, tão incômoda à seus olhos, (mude de canal) ou desligue a tv.
Afinal, o mesmo direito que você tem de achar que é possível alguém
"não deixar Jesus em paz&...
POBRES ATEUS!
"Esses pobres "ateus" de araque (pois na verdade eles nem sabem que
sua fé está no diabo a quem servem) deveriam ver que o mesmo direito que eles
têm de anunciar que são ateus na imprensa (que é o seu espaço de atuação)
e com isso "dar náuseas" nos cristãos que os ouvem, também os
jogadores têm inteira liberdade de anunciar a sua fé no lugar onde atuam: o
futebol - e eles que não gostam que suportem, assim como temos que suportar
essa baboseira que eles escrevem....rsrsrs" - os direitos são iguais.
Natali | 05/08/2009
Numa sociedade podre como a nossa; num mundo que se veste com a hipocrisia o
tempo todo, vemos pessoas como Juca Kfouri e Roberto Freire, condenando
manifestações individuais de uma religiosidade que é nata no brasileiro. É
uma perda de tempo, tentar guilhotinar essa característica do nosso povo.
Ateus rosnando contra essa manifestação individual de fé é pura declaração
preconceituosa.
Parabéns!
Antonio Augusto | 05/08/2009
Enfim, um jornalista sensato a ponto de se expressar sem medo das represálias
da maioria religiosa do nosso páis. Parabéns Juca por separar as coisas e
colocá-las no seu devido lugar!
Natali | 05/08/2009
Infelizmente, tudo que gire em torno de religião,tem seus contras. A era da
ditadura virou museu. E a mídia quer nos fazer voltar no passado? Os
"Kfouris" da vida aí estão, para coar mosquito e deixar passar
camelos. Jornalistas "Sensatos" deveraim estar preocupados em garantir
que um pluralismo de verdade venha a reinar na nossa imprensa.
Os jornalistas
sensatos, deveriam estar preocupados em denunciar, informações tipo:
"notícias de importância histórica mundial que, se reveladas, teriam o
dom de despertar as multidões do torpor hipnótico que as imobiliza e
incapacita". Dificilmente o leitor encontrará nas páginas dos jornais,
tão cuidadosamente foi escondida, a notícia de que Kaing Guek Eav, ex-diretor
do sistema de prisões no regime comunista do Camboja, confessou ter mandado
assassinar sistematicamente milhares de crianças, filhas de prisioneiros
políticos, para que não ...
a vida de cada um
ariovaldo | 06/08/2009 |  
Li o seu texto. Sempre admirei a sua lucidez. Gostaria de dizer-lhe, entretanto,
que o mesmo direito que você tem de ser ateu, outro tem de ser religioso.


quem diga que viveremos várias vidas, o certo, entretanto, como disse Vinicius
de Morais, é que só temos consciência desta. E cada um precisa achar um
sentido para a vida que vive. E cada sentido se basta por si.

Nada é mais
sagrado do que alguém poder explicar a sua vida como o quiser, e atribuir a
quem quiser os louros que auferiu. Se os dinamarqueses não gostam de como os
brasileiros explicam sua performance em campo, eles que se lixem. Cada povo tem
direito à sua cultura, e o futebol é um espetáculo cultural.

O conjunto de
nossos atletas é religioso, a exemplo do nosso povo, e, como tal, explica a sua
vida. Não estão se impondo, estão se explicando, não aos demais, mas a si
mesmo.

Nós, os espectadores, exigimos dos atletas performance à altura...
Apoio a Juca Kfouri
Lúcia | 08/08/2009
O texto de Juca Kfouri é bom porque defende um ponto de vista com veemência e,
por isso, gerou tantas reações.
É uma pena que a festa pagã, o samba, o
carnaval que serviam para festejar os gols, muito representativos do nosso jeito
de ser, estejam dando lugar a essas manifestações fervorosas dos evangélicos.
Por que isso vem ocorrendo? Para onde está indo a nossa alegria? A confiança
na gente mesmo e na simplesconfraternização, sem dogmas? O jornalista fez
muito bem em nos alertar nos levando a pensar sobre essa mudança na sociedade
brasileria.Obrigada, Juca.
Jornalismo e Intolerância
Valmy | 09/08/2009
A que ponto chegamos neste país, onde o preconceito e a falta de conhecimento
parte da fonte formadora de opnião.
A falta de conhecimento sobre o assunto é
a causa da polemica, pois o futebol é o palco de tudo, escandalos financeiros,
religiosidade, violência e até comentaristas discriminadores, onde escondem e
disfaçam seu paganismo cultural e materialismo pessoal, negando o
reconhecimento de sua ignorância, como forma também de religião e
proselitismo, eles deveriam fazer uma representação deles mesmos ao
ministério público. Risos.
Juca, cuidado com os pregadores da liberdade relig
Nizinha | 09/08/2009
Chega a ser surpreendente a ira que o comentário do Kfouri desencadeou. Só
faltam pedir que ele seja queimado pela Santa Inquisição e apenas porque
comentou o óbvio, ou seja, observou que se há uma partida em campo, deus não
pode ser invocado por proteger um dos lados. Afinal, que deus é este que só
toma partido pelos que ganham, e, mesmo assim, só depois que ganharam?
Portanto, como se dizia antigamente a respeito das mães, é melhor não botar
deus no meio! Se deus ajudou kaká a ir para o Barcelona, por que não ajudou a
todos os garotos que estão tentando uma vaga para jogar num time qualquer? Se
é coisa de preferência divina, então, o que o Kfouri está dizendo é para
que os jogadores agradeçam a deus pelos favores que receberam no silêncio dos
seus quartos e não em público, diante de todos os milhões de espectadores que
não obtiveram a gaça nem de entrar no campo de graça.
Genilza Gomes | 10/08/2009
"Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais
apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque
fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante."

Pô, Juca, me
decpcionei contigo. Que discussão fútil e sem fundamento. Tantan corrupção
acontecendo nos bastidores do futebol brasileiro. Tanta falcatrua, e vens com
arrancando grama com esse tipo de discussão.

Pô, cara, chegar a ficar
irritado com isso? Quanta futilidade.

Se assim for, meu ex-amigo comunicador,
devem ser extintas todas a progragandas - nas camisas dos jogadores, nas
chuteiras, nos calções, e no letreiro quadrilátero do campo.

Pois isso
sim, é um abuso. Esse show de marketing nos desse também de goela abaixo. Essa
imposição comercial parasitária é de fato irritante. Pois não estamos
pbrigados a assistir um jogo dando de cara a cada segundo com o nome do Itaú,
nem do Bradesco...
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