Jornalirismo

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O ombudsman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, 56, criticou os jornais brasileiros e seus profissionais, dizendo que tanto uns quanto outros são “arrogantes” e “prepotentes” e “não querem ser melhorados”.

A declaração foi feita durante sabatina em São Paulo, para lembrar os 20 anos da criação do cargo de ombudsman na Folha.

Carlos Eduardo foi sabatinado pelo colunista da Folha Marcelo Coelho, pelas jornalistas Eleonora Gosman, correspondente do jornal argentino Clarín, e Verónica Goyzueta, correspondente do espanhol ABC, e Eugênio Bucci, professor da ECA-USP e colaborador de O Estado de S. Paulo.

“Os jornais, a imprensa, os jornalistas são arrogantes, prepotentes, não gostam de ouvir críticas em nenhuma hipótese e não querem ser melhorados. Se a imprensa não se autorregular, ela vai ser regulada por alguém e será pior para ela”, alertou.

O ombudsman também falou do impacto negativo dos erros na imagem do jornal: “O que mais fere a credibilidade do jornal não é o tipo de crítica que recebe, mas o tipo de erro que comete”.

Para ele, que é o profissional com a tarefa de fiscalizar o que o jornal publica e servir de representante do leitor, “80% dos erros que saem no jornal podem ser atribuídos a três fatores: pressa, preguiça e ignorância”.

Citou especificamente dois erros, os dois maiores, na sua opinião, desde que assumiu o cargo, há 18 meses: a publicação de foto da ministra Dilma Roussef na primeira página, sem garantias de que a imagem fosse verdadeira; e chamada de primeira página alarmista sobre a gripe A (H1N1), baseada em dados controversos.

Carlos Eduardo disse também acreditar numa longevidade do jornal impresso, com adaptações de conteúdo, mais centrado em profundidade e contextualização, e explicitou seu papel: “O importante é que o jornal sobreviva. Porque a gente corre o risco de viver numa sociedade em que os fatos não têm mais importância, só as opiniões têm importância”.

O jornalista falou ainda da natureza do seu cargo: “Não sou representante da Folha, sou representante do leitor. Eu nunca falo em nome do jornal, não posso. Mas ser representante do leitor não significa que eu tenha de ser adversário do jornal, como muitos me cobram, porque o leitor não é inimigo do jornal”.

Leia a íntegra da sabatina diretamente no site da Folha de S.Paulo, clicando aqui (para assinantes).

 

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