Começa no próximo domingo, 21 de junho, o 56º Festival Internacional de Publicidade de Cannes, na França, o maior e mais importante do mundo.
Por causa da crise econômica mundial, o número total de trabalhos em competição inscritos caiu 20% de 2008 para 2009.
Este ano, são 22.652 inscritos, de 86 países, em busca de um Leão, o troféu com o formato do felino, contra 28.284 no ano passado, que foi o recorde histórico.
As maiores quedas aparecem em duas das categorias mais tradicionais do festival: anúncios impressos, com recuo de 32,2% (de 7.442 inscritos para 5.048); e filmes, com retração de 25,4% (de 4.626 inscritos para 3.453).
As duas únicas categorias com número maior de inscritos este ano são design e promoção, com crescimento de 1,2% e 1,4%, respectivamente.
Público
As expectativas dos organizadores são a de que o número de delegados participantes caia ainda mais, cerca de 40%. Se a previsão se confirmar, serão 6 mil pessoas circulando pelo Palais des Festivals até 27 de junho, quando o festival se encerra; ano passado haviam sido cerca de 10 mil pessoas.
Entretanto o Festival de Cannes continua como o melhor encontro do mercado publicitário para o que chamam de fazer network, isto é, conhecer gente interessante para futuros negócios. Nenhum outro festival do mundo tem o poder de atrair tanta gente, e de tantos lugares diferentes.
Cannes, este ano, estreia mais uma categoria em competição, a destinada a trabalhos de relações públicas, somando agora 11 no total. Foram inscritos 431 trabalhos na nova categoria.
Brasil
A crise mundial também reduziu – e em muito – as expectativas por aqui, com corte acentuado de investimentos na premiação.
Este ano, o número de trabalhos inscritos pelas agências e anunciantes brasileiros é de 1.519, uma queda de cerca de 40% (38,3%) em relação ao ano passado, quando o país inscrevera 2.461 trabalhos. Foi a maior queda entre os países participantes de competições em Cannes.
Em Cannes 2009, os trabalhos brasileiros estão assim distribuídos: Press (anúncios impressos), 432; Outdoor (mídia exterior), 290; Cyber (Internet), 181; Design, 174; Film (filmes publicitários), 141; Media (mídia), 79; Radio, 67; Direct (marketing direto), 57; Promo (campanhas promocionais), 56; PR (relações públicas), 26; e Titanium (para as supercampanhas), 16.
A exemplo do ano passado, apesar da crise, o Brasil é o terceiro país em número de candidatos a um Leão este ano, atrás apenas dos Estados Unidos (2.726 trabalhos inscritos) e da Alemanha (2.131).
Os 2.726 competidores dos Estados Unidos, epicentro da crise mundial, representam um recuo de 25,2% em relação ao ano passado.
O número de delegados brasileiros deve acompanhar a tendência de queda geral do festival e ser 40% menor que no ano passado.
Prova de que a crise é de fato global, as inscrições dos candidatos da região Ásia-Pacífico, que inclui países como Japão, Austrália e Cingapura, caíram cerca de 10%.
Em Cannes 2008, o Brasil conquistou 41 Leões, sendo apenas um de ouro, com a campanha “Companhia de Bolso”, para a Companhia das Letras, criada pela agência AlmapBBDO, na categoria para anúncios impressos. De modo geral, foi um desempenho apenas regular no festival, sem que o país apresentasse de fato uma campanha que encantasse ou lançasse tendência.
Para este ano, especialistas apontam o filme Cachorro-peixe, criado pela AlmapBBDO para o automóvel SpaceFox, da Volkswagen, como forte candidato a um Leão. O filme chega “quente” a Cannes, depois de prêmios em outros festivais internacionais, como o Clio (Estados Unidos) e o El Sol (Espanha).
Assista a Cachorro-peixe, filme criado pela AlmapBBDO para o SpaceFox:
Crise em debate
A crise econômica mundial, de cujos efeitos Cannes diretamente se ressente, será um dos assuntos principais da edição deste ano.
Com o tema “The Global Downturn” (O Declínio Global), foram agrupados quatro dos 53 seminários previstos para o festival.
O principal deles talvez seja o “Cannes Debate: O que a recessão significa para nós?”, na sexta-feira, 26 de junho.
Com moderação de Martin Sorrell, executivo do grupo mundial de propaganda WPP, estarão reunidos os decisores das estratégias e verbas de marketing e propaganda de quatro grandes grupos multinacionais: Mary Dillon, do McDonald´s; Mary Beth West, da Kraft Foods; Marc Pritchard, da Proctor & Gamble; e Nigel Gilbert, do Lloyds Banking.
O objetivo é discutir formas diferenciadas de lidar com a crise e de sair dela, com questionamentos que incluem a própria posição e formação do homem de marketing e os produtos das empresas.
Obama
Outro destaque do Festival de Cannes 2009 será a participação do chefe da campanha vitoriosa de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos.
David Plouffe apresentará ao público, num seminário intitulado “Ousadia das Marcas Bem-sucedidas”, na quinta-feira, 25, as principais estratégias de envolvimento dos cidadãos norte-americanos através de redes sociais, baseadas, principalmente, na Internet.
Plouffe explicará, também, as maneiras inovadoras com as quais Obama conquistou “lealdade de marca” e como elas podem ser aproveitadas por qualquer empresa.
Para mais informações sobre o 56º Festival Internacional de Publicidade de Cannes, acesse o site oficial do Cannes Lions 2009 (em inglês), clicando aqui.
Memória
Como recordar é viver, assista agora ao filme publicitário que ganhou o primeiro Leão de ouro da história da propaganda brasileira, há 35 anos, em 1974, criado pelo redator Washington Olivetto e pelo diretor de arte Francesc Petit, com direção de Andrés Bukowinski.
O filme se chama Homem de 40 anos e foi assinado pelo Conselho Nacional de Propaganda, numa campanha contra o preconceito ao homem de 40 anos, “expulso” do mercado de trabalho por ser considerado velho demais.
Veja O Homem de 40 Anos, primeiro ouro do Brasil em Cannes (1974):
