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O Encontro de Blogueiros Publicitários 2009 reuniu, em São Paulo, no último dia 8, grandes nomes da comunicação e da Internet e já se candidata a um dos eventos mais importantes da mídia online brasileira.

Nesta quarta edição, realizada na FAAP (Faculdade Armando Álvares Penteado), o encontro foi, digamos, mais corporativo: muitos patrocinadores, apoios de mídia, palestrantes de grandes agências do mercado publicitário. Certamente reflexo do interesse de grandes empresas e marcas em dialogar em novas mídias e com um novo público, capaz de mobilização e convencimento.

Entre palestras, debates, exposições de produtos e estratégias de marketing, a Nokia, uma das patrocinadoras, fez, por exemplo, ação de relacionamento, colocando à disposição um número de telefone para os blogueiros enviarem suas perguntas. “Como esse é um evento de nerds e geeks, o pessoal pode ficar um pouco tímido para fazer as perguntas, então a Nokia disponibilizou um número para que vocês enviem SMS para os palestrantes”, justificou o professor Eric Messa, mediador do primeiro painel.

“Como um blog pode ajudar sua carreira?” foi o tema do primeiro painel, em que estiveram presentes os blogueiros Carlos Merigo (do blog Brainstorm #9, veja aqui), Rafael Ziggy (blog Sim, Viral, veja aqui) e Luiz Jerônimo (blog Tarja Preta, veja aqui). O mediador do debate foi o professor Eric Messa (do blog E-Code, veja aqui).

Ao serem indagados sobre o conteúdo do blog e o tempo investido nele, Merigo afirmou que trabalha o dia todo com o Brainstorm #9, já que foi contratado exatamente pelo trabalho feito nele. Disse ainda que o objetivo dos blogs de publicidade não é competir com sites especializados, como o Meio & Mensagem, mas sim levar novidades do mundo da propaganda para os leitores, que evoluíram muito, na visão dos três blogueiros.

 



Marcelo Tas marcou presença no encontro: panorama da Internet brasileira.

 

Dando início ao ciclo de palestras do EBP 2009, o jornalista multimídia Marcelo Tas, que escreve o Blog do Tas (veja aqui) há seis anos, apresentou um panorama da Internet no Brasil, desde o seu surgimento até os recentes casos, como o Twitter, o serviço de troca instantânea de mensagens.

Marcelo Tripoli, presidente da agência de propaganda iThink, com foco no mercado online, quebrou paradigmas ao comentar a suposta morte anunciada do “digital”. Tripoli disse que o digital não pode ser considerado apenas uma caixinha, uma disciplina ou uma ferramenta isolada de comunicação: “Ninguém é ‘internauta’, [assim como] ninguém é ‘televisivo’. As pessoas são o que são. Digital é tudo e nada ao mesmo tempo”.

 


Credibilidade, propaganda e blogs: um post vale mais do que um banner.

 

Em seguida, o clima esquentou no painel “O que representa inovação?”, com o mediador Igor Puga (diretor de mídia e planejamento da agência ID\TBWA), André Matarazzo (diretor de criação da agência Gringo), Pedro Porto (diretor de interatividade da agência SantaClaraNitro) e Mentor Muniz Neto (diretor de criação da agência Bullet).

Credibilidade

De forma bem-humorada, André Matarazzo abriu o painel dizendo que odeia o Twitter. A conversa sobre Twitter/Blog/Divulgação evoluiu para a pergunta: “O que é relevante para um blogueiro postar?”. Matarazzo afirmou que os blogs têm muito mais credibilidade do que um banner em um portal, por exemplo. Portanto, como conquistar o blogueiro, para que ele poste algum filme publicitário interessante?

[Pedindo “licença poética” aqui, eu, Thais Polimeni, blogueira e publicitária (veja o blog dela aqui), me dou o direito de opinar sobre a última pergunta. A resposta é: “Fazendo coisas interessantes”. É bom ter em mente que o blogueiro só vai postar o que ele acha bacana para o público, caso contrário, perderá a credibilidade já citada por Matarazzo.]

Retornando ao tema central do painel, “inovação”, os publicitários criticaram o mau uso da palavra. “Inovação está virando commodity”, disse Neto. “O cliente não quer inovação. Ele quer resultado”, finalizou Puga.

O branding, isto é, o trabalho de construção de uma marca, também foi destaque dos debates. O painel “Marcas, Histórias e Conteúdo” contou com a participação de Renata Bokel, do grupo Totalcom (que reúne empresas como a agência de propaganda Fischer América); Leonardo Carbonell, da Selulloid AG (empresa de desenvolvimento de conteúdo para marcas); Marcelo Douek, da Lukso Story & Strategy (empresa de construção de marcas); e Danilo Cid, da Ana Couto Branding & Design (consultoria de design e identidade visual corporativa).

Danilo Cid falou extensivamente do design das marcas: “Às vezes, a marca é uma cor, como é o caso da Tiffany; às vezes, a empresa pode ter mais de uma marca, como é o caso da Central de Intercâmbio”.

Marcelo Douek resumiu o branding em quatro conceitos: obstinação, coerência, foco e conhecimento do público-alvo. Afirmou ainda que toda marca tem uma história para contar. Portanto, temos que descobrir qual é a história de cada uma.

Leonardo Carbonell defendeu a ideia de que as marcas não estão em guerra pela audiência, mas sim pela atenção do público. Toda ação de marketing deve ter relevância e conteúdo. Citou o exemplo da revista Oi e da rádio SulAmérica Trânsito, que não falam nem de tecnologia, nem de seguros. E nos lembrou de que não pode faltar o foco no longo prazo: prova maior disso é o calendário Pirelli, disputado por grandes nomes do mundo artístico e corporativo.

“Altermodernismo”

A penúltima palestra do dia foi sobre “altermoderno” e “alterbranding”, apresentada por Marcello Magalhães, vice-presidente de planejamento da agência de propaganda Ogilvy & Mather Brasil. Alter o que, mesmo?

De acordo com Magalhães, há algo além do pós-modernismo tão falado atualmente: o “altermodernismo”. Tal conceito prega a cultura global, a multidisciplinaridade e o transculturalismo. É uma nova fase de pensamento cultural e artístico, em que a visão está “no outro” (daí o prefixo “alter”).

Exemplos reais do “altermodernismo” podem ser vistos na mistura de ritmos musicais; nas exposições de arte, em que não há somente quadros, mas também telas, fotos, filmes, instalações; no audiovisual, como os clipes colaborativos e, é claro, na publicidade, como a festejada campanha eleitoral de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos.

“Como blogs podem contar grandes histórias para grandes marcas” foi o tema da palestra de encerramento do EBP 2009. Raphael Vasconcellos, diretor de criação da AgênciaClick, com fogo em propaganda digital, também defendeu que a narração de história seja um ritual: “As marcas têm que ouvir os pequenos grupos. A Turma da Mônica Jovem, por exemplo, vende mais do que o gibi tradicional”.

Vasconcellos ainda esclareceu o conceito creative commons, utilizado na ação do novo carro Fiat Mio (veja aqui): “A ideia e a propaganda não podem ter só um dono”, afirmou, mostrando como exemplo o caso T-Racer, em que estiveram envolvidas empresas de jogos, propaganda, eventos e Internet, para que se chegasse ao resultado planejado. Quem seria o dono da ideia? O que seria a ideia sem a produção do filme, do jogo ou do site?

Como tradição, o sucesso do Encontro de Blogueiros Publicitários foi comemorado no #NOB (Nerds On Beer), o happy hour dos blogueiros publicitários.

Saiba mais sobre o encontro na comunidade oficial, clicando aqui.

Fotos de Thais Polimeni.

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