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Criativos de agências de propaganda do Brasil, como Tales Bahu, da McCann Erickson, avaliam positivamente a produção de filmes publicitários brasileiros na Argentina. “Filmar na Argentina é muito mais fácil e muito mais simples que no Brasil. No Uruguai, então, é mais fácil ainda”, analisa.

 

 
Tales Bahu: Elogio à produção argentina.

 

O diretor de criação da McCann, recém-contratado da AlmapBBDO, onde trabalhou por 16 anos, cita a simplicidade operacional de produção na Argentina e no Uruguai, além do custo menor, como vantagem. “A cidade é limpa e tem pouca gente.” Isso simplificaria, por exemplo, a escolha das locações (lugares para filmagens), com facilidade de interdição de vias públicas.

Numa cidade como São Paulo, com 10,8 milhões de habitantes e 4,2 milhões de automóveis, segundo estimativas do IBGE, não é difícil imaginar a dificuldade de fechar ruas e avenidas para rodar filmes de carros, por exemplo.

Talvez não por acaso, o destino principal dos filmes recentes para a Volkswagen do Brasil, criados pela AlmapBBDO, tenham sido a Argentina e produtoras de lá, com locações nas ruas do Uruguai, que tem população total de pouco mais de 3 milhões de habitantes (a capital, Montevidéu, reúne cerca de 1 milhão).

Para Tales Bahu, outra vantagem de filmar com argentinos é a chance de o comercial brasileiro ganhar longa vida internacional, repercutindo. “Os diretores argentinos têm entrada na mídia internacional especializada que nossos diretores não têm. O João Daniel [o diretor João Daniel Tikhomiroff, o mais premiado da propaganda brasileira] é um dos poucos que se projetam lá fora, porque não reconhecem os diretores daqui.”

A repercussão internacional importa muito para agências brasileiras, porque um filme visto e comentado no exterior se candidata mais fortemente, chega “mais quente” aos prêmios internacionais mais importantes, como os do Festival Internacional de Publicidade de Cannes, na França. E na propaganda, como no futebol, quem não conquista título não se estabelece.

O criativo da McCann, redator de origem já premiado internacionalmente, inclusive em Cannes, assegura que a vantagem hermana não seja a criatividade e sim a capacidade de gerar buxixo: “O diretor argentino não é mais talentoso, só tem um [trabalho de] RP [relações públicas] melhor. Está brutalmente fraca nossa parte de RP nas produtoras”, critica.

Tales Bahu aponta também, como diferencial, o tempo maior dedicado a projetos por uma produtora argentina, em comparação com uma produtora brasileira. Lembra a produção de Cachorro-peixe, filme criado pela AlmapBBDO para o automóvel SpaceFox, da Volks, produzido pela argentina Rebolucion, com direção de Armando Bo, em praia do Uruguai.

O filme, que conquistou o Leão de ouro em Cannes, este ano, o primeiro ouro para o Brasil na disputada categoria automóveis desde o comercial Fiat Itália, em 1982, da MPM Propaganda, ficou quatro meses em finalização, o que dificilmente aconteceria, segundo o criativo, no Brasil. De acordo com Tales Bahu, devido à demanda de filmes menor, as produtoras argentinas têm mais tempo para se dedicar a um filme.

Assista a Cachorro-peixe, ou Pez perro, segundo os hermanos:


“Se deixasse Cachorro-peixe quatro meses com uma produtora brasileira, teria resultado semelhante. Mas, talvez, se tivesse sido dirigido por um brasileiro, não tivesse a mesma repercussão internacional”, ressalva.

A questão do casting (elenco) também tem sido indicada como potencial argentino, por supostamente renovar a cara do comercial brasileiro. Entretanto, a propaganda brasileira tem sido historicamente acusada de abusar dos modelos brancos, loiros, de olhos azuis etc., ignorando a população negra, por exemplo.

Com a produção de filmes publicitários sendo concentrada na Argentina e no Uruguai, onde reconhecidamente quase não há negros, o que vai acontecer com o intervalo comercial da tevê brasileira? O negro vai desaparecer dele de vez?

O criativo da McCann lembra que, recentemente, tiveram de “importar” um negro do Brasil, para uma produção de filme publicitário com os argentinos.

Entretenimento

Tales Bahu minimiza o que todos hoje acreditam ser o grande caminho para a propaganda: o do entretenimento. Para ele, essa “é só uma nova nomenclatura”. “Propaganda sempre teve que ser divertida, entretenimento desde o começo. Quer dizer que até agora se fez propaganda chata?”

Segundo ele, um bom filme publicitário precisa emocionar. Isso, através do humor ou de uma sacada bacana, mais emotiva, que some para o produto anunciado. Em espanhol ou em bom português.

 

Leia também:

Entrevista com João Daniel Tikhomiroff, do Grupo Etc... Participações, o diretor de filmes publicitários mais premiado da história da propaganda brasileira: “Cartilha ou criatividade?, eis a questão”

Entrevista com Julio Xavier, da BossaNovaFilms, o diretor de “O primeiro sutiã a gente nunca esquece”, um dos melhores filmes publicitários da história da propaganda mundial: “O diretor e o sussurro”

Entrevista com Tetê Pacheco, diretora de criação da agência 106: “Boa ideia não resiste às hierarquias”

 

Comentários
monica | 09/10/2009
que vergonha.
Caco | 09/10/2009
Que triste.
Façamos o seguinte: vamos produzir tudo na Argentina e fechar as
produtoras brasileiras. Aliás vamos criar tudo na Argentina e fechar as
agências brasileiras também. Será que é isso que eles querem? Será que não
percebem que isso é dar tiro nos pés? Ninguém mais pensa?
Que triste.
Enéas | 09/10/2009
Sr. Tales Bahu,
O Senhor está rindo de que? Está rindo de quem?
O Senhor tem
noção do quantidade de abobrinhas que disse?
E se omitir de culpa, como se
não fizesse parte desse processo? Não tem filhos não? Ou vergonha? Ou só
sofre de ausência de noção?

Deslumbradinho...
Daniela | 09/10/2009
Uma geração de diretores de um país melhora e cresce quando tem material de
trabalho que exige esse crescimento.
Faz tempo que a maioria das agências
brasileiras nao exige nenhuma qualidade criativa com as peças que criam.
É
bom lembrar que os diretores fazem bebês por encomenda, pois é a agência que
escreve o roteiro, que aprova a ideia com o cliente, que autoriza qualquer
mudança e estabelece os prazos de entrega.
Será que você não está
atribuindo a qualidade superior dos diretores argentinos ao fato de que as
agências argentinas estão criando para mercado de primeiro mundo (Vega
Olmos-Ponce cria para Axe e Rexona Worldwide) ou ao fato de que quando abrem
escritórios na Europa, os clientes entregam imediatamente campanhas globais à
elas (Santo London vai criar pra Coca Cola Worldwide Copa Fifa Africa do Sul
2010)?!
Será que vc não está colocando a carroça na frente dos burros?!
As
agências ar...
daniela | 09/10/2009
Será que vc não está colocando a carroça na frente dos burros?!
As agências
argentinas estão muito na frente das brasileiras criativamente e isso tem feito
os diretores argentinos melhorarem comparativamente, simplesmente porque eles
têm roteiros melhores e mais originais - para filmar, experimentar e mostrar.
Ponto final.
bruno | 09/10/2009
Que feio passar a culpa pra frente! Que vergonha o cara pensar isso.
E nem
reconhecer que agência argentina é melhor que as nossas.
Mas também, com
profissionais assim em posição de comando de criação, o mercado
publicitário brasileiro está com um futuro muito, muito comprometido.
carla | 09/10/2009
"De acordo com Tales Bahu, devido à demanda de filmes menor, as produtoras
argentinas têm mais tempo para se dedicar a um filme." Então o bacana é
ficar ocioso pra quando ele resolver ter filme pra passar ? Vamos todos então
recusar trabalho p ficar disponível pra vc, ok ? Quem sabe vem um filme com
prazo e dinheiro pra gente também.
daniela | 09/10/2009
Imaginemos o seguinte.
Se todos os clientes começarem a pensar como vc, e
acharem que as agências são melhores na Argentina, vc vai ter que pedir
emprego pros hermanos.
Mona | 09/10/2009
Quando os filmes não tem grana nem prazo, os diretores brasileiros são
ótimos, mas quando tem grana e prazo, melhor fazer com os Argentinos, muito
bom! - isso sem falar da idéia...
ESTOU CHOCADO. Ou não.
Tomás | 09/10/2009
Eu deveria estar chocado, mas estou só confirmando as piores elocubrações que
fazem sobre a falta de noção do publicitário típico.

1. Você está
nivelando por baixo: filmar na Argentina ou no Uruguai é mais fácil do que
aqui, assim como é mais fácil do que na Europa ou nos EUA, centros de
excelência, porque lá o processo é menos profissionalizado (não menos
profissional): não defendo a burocracia, mas lamento que você, típico
publicitário sem escrúpulos, prefira premiar o jeitinho: aqui tem tabela,
procedimentos com prefeituras etc. E isso não deveria ser o parâmetro.

2. O
que você escolhe é produzir (melhores) roteiros fora (pra ver se o diretor dá
um jeito, pelo que você afirma), sucateia a produção brasileira, e depois vem
exigir qualidade onde vc não ajuda a construir.

3. Brasil, pro Thales (que
é de Porto Alegre), se resume a SP. Porto Alegre, RJ, BH, tantas outras cidades
estã...
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